e-nome


tu. tu quebraste-me. do primeiro ao último segundo.DSC_0073

chegaste cá a casa, quase que por acaso. no dia seguinte insististe em voltar. não houve margem para dúvidas. adoptaste-nos com unhas e dentes. como se nunca tivesses (sen)tido o calor de uma família. o conforto de um lar. e ao primeiro contacto, não deixaste escapar. ao contrário do que era espectável mostraste-nos que este era o teu lar. que nós eramos teus.

nunca estragaste nada nesta casa. nunca roeste um chinelo. tratavas os teus amigos de borracha com carinho e delicadeza… o Pumba, o Toni. tinhas receio de os magoar a cada guincho que davam quando os tentavas agarrar com a boca.

tinhas duas fraquezas…

uma maior do que tu. a comida. pela comida quebravas todas e quaisquer regras. por um bom prato de comida, acho que nos vendias :)741179_567584086603722_1845254798_o

a outra… a outra era uma festa. a rega automática. lembraste? estive tentada a dar-te esse último presente, mas soube que já não ias aguentar. ou seria eu?

286951_263210853707715_1762019_oera sempre uma fita quando perguntavam o teu nome. ninguém percebia à 1º. à 2ª ou 3ª tentativa fingiam que tinham percebido… a verdade é que nem eu percebi o nome que trazias da rua e registei-te mal. a verdade é que nem precisavas de um nome para vires a nós. respondias a qualquer som que te soasse a um chamado. foste gata, foste badocha, foste foquita. foste tudo. foste nossa. “toma” era o que recebias melhor. fomos teus. todos os que passamos pelo teu nariz. fomos teus.

sabes, durante muitos anos mudaste a minha vida. não existiram tapetes na nossa casa. não andei descalça em casa. a comida continua a não ser colocada à “pata” de semear (lembras-te das 10 almondegas congeladas que aspiraste na primeira semana?). o chão deixou de ser encerado (a cera era demasiado apetitosa, não era?). uma cama em cada divisão.

download

ainda não me habituei a (voltar) gostar de trovões e de foguetes. sei que não gostavas deles (a menos que houvesse comida, claro).

conquistaste-nos. conquistaste-nos a todos.

preencheste um bocadinho de mim que nunca mais será preenchido. que nunca será esvaziado.

quebraste-me quando entraste por esta porta no primeiro minuto.

quebraste-me como não costumo deixar que me quebrem.

quebraste-me quando adormeceste no meu pé. no último segundo.

599400_531002700261861_890621494_n

{ Nonô }


E de repente tudo fica pequenino.

Num segundo sinto-me pequena, por me preocupar com os meus problemas. Problemas… Sei lá eu o que é isso… 

Não consigo imaginar o que esta menina (tão grande) passou, muito menos o que passou nos corações da Mãe e do Pai desta menina.

Prefiro imaginar que neste momento está num sítio melhor, com aquele sorriso lindo de criança e que estes pais, feitos de força, vão continuar a ser inundados por aquela energia maravilhosa, onde quer que ela esteja.

Nono

{ Anything for love… }


Tens alguém por quem fizesses algo assim?

Para muitos pode parecer um gesto sem qualquer significado, já que não é isto que vai salvar ou curar a pessoa, mas um gesto destes demonstra que a outra pessoa não está sozinha. Os outros estão lá com ela. Para partilhar a dor, os momentos de angústia, as batalhas vencidas. Sim, não sentem a dor física, os enjoos, e tudo o resto que esta doença e respectivos tratamentos implicam.

Este pequeno grande gesto, ajuda, nem que seja apenas um bocadinho, a ultrapassar essa dor.

Um vídeo emocionante.

 

{ Ressaca }


{ Bom dia! }Por muito que goste do inverno, que apeteça este friozinho e o aconchego de uma manta com um bom livro ou filme, o Sol é que é a minha praia!

O pior do inverno nem é o ter de sair de casa para passear a e-nome debaixo de uma tempestade, às 6h30 da manhã ou à meia-noite.

O pior do inverno é acordar sem a luz do dia a entrar pelo quarto! Eu que gosto de acordar cedo (por norma às 6h15 salto da cama, sem qualquer obrigação), dou por mim, nesta altura do ano, a desesperar para me levantar.

Sinto-me a ressacar pela luz do dia a entrar-me pela janela escancarada do quarto!

E escusam de vir dizer que o inverno é lindo, que a chuva blá-blá-blá, que é o tempo dele, e tal. Eu sei isso tudo. Pode até chover torrencialmente, pode nevar, podem fazer -15 ºC, mas por favor façam com que os meus dias comecem com luz natural!*

Acordar de noite é giro na 1ª semana. No 1º mês, vá… agora já não tem graça. Preciso de luz natural! Preciso de sol no meu acordar!*

20131118_071302

*Não vale mandarem-me acordar às 10h!

{ Porquê? }


Porquê partilhar a noite de Natal com desconhecidos?

1. Porque é uma forma de agradecer o tudo o que tenho (que tantas vezes achamos que é “o pouco que tenho” e nestes momentos percebemos que é tanto!).

2. Para retribuir o tanto que recebo da vida e dos que me amam.

3. E, para ser sincera, por um pouco de egoísmo, porque participar nesta ceia de Natal, é algo que me enche o coração e me faz sentir bem. E isto é o que me faz voltar!*

4. Porque o Natal não é feito apenas com azevias e presentes.

1477950_599972676706891_2039203893_n 1483353_599971086707050_1119529747_n 1503458_599971663373659_1580694253_n

5. E passar um bom bocado na conversa com alguém simpático que tão facilmente reconheci do ano anterior…

Estes são apenas alguns dos motivos, mas há mais.

Esta foi mais uma Ceia de Natal promovida pela REMAR, uma ONG que tem por objectivo a reabilitação de marginalizados e que não recusa apoio e/ou um tecto a ninguém que a procure!

*Enchia-me mais o coração, não haver necessidade de realizar este tipo de actividades…

{ Começar do zero ou recomeçar aos quarenta… }


Por vezes apetece-me começar tudo.
Começar a partir do zero.

Tudo novo, sem a bagagem que me vem agarrada.
Casa nova, para começar.
Emprego novo.
Um outro país, quem sabe…
Vida nova.

Mas  nessa bagagem também existem pessoas, memórias e objectos que não quero largar.
E esta parte da bagagem, que é parte integrante de mim, eu quero continuar a ter por perto, junto à pele, junto ao coração.

E por isso, mais do que começar do zero, quero recomeçar aos 40. Vou fazer alterações, mudanças, em mim e no que me está agarrado. E também vou aproveitar mais. Do que tenho e do que sou.

Foto: Sol de Dezembro

{ As minhas três luas… }



O facto de ver três luas quando olho para o céu não me chateia nada. Ver o que é bonito a triplicar pode ser até um privilégio.
O problema é quando as três linhas de legendas se sobrepõem no ecrã da televisão…

Consulta de oftalmologia agendada e o próximo passo é tentar descobrir uns óculos que me fiquem bem.
Eu que só consegui começar a usar óculos de sol quase aos 30 anos porque nunca me gostei de ver com óculos! E mais uma coisa para encher a mala… 

{ Ops… }


Conhecem aquela sensação de acordar a achar que está quase na hora de levantar, olhar para o relógio e ver que ainda são umas 3 da manhã??

Esta noite aconteceu-me isso. Só que eram 22h58!! :D

É o que dá estar 1 mês sem pôr os pés no gym e retomar com uma aulinha de Body Pump… Fiquei de rastos, cheia de dores e enfiei-me na cama às 9h30 da noite :D
Estou velha…

{ Ainda do Natal }


Como tinha dito, este foi um Natal diferente de todos os que passei. E talvez um dos mais sentidos que passei.
Foi uma noite de Natal a servir a ceia a pessoas que, pelos motivos mais diversos, apareceram numa tenda montada no Martim Moniz.
Pessoas tão diferentes umas das outras.
Desde o idoso que entrou, comeu e adormeceu até ao final da noite (umas horas longe do frio).
Ao menino de 5/6 anos de idade que esteve desde as 6 da tarde no 1º lugar da fila, sozinho e com um sorriso rasgado na cara. Este, depois de conversar com alguns voluntários, foi buscar a família. Apareceu com um sorriso ainda maior, ao lado da mãe e dos irmãos. Comeu, dançou, cantou e encantou-nos a todos.
As nacionalidades eram variadas, e as disposições também.
Havia quem estivesse ressentido com a vida. Quem fosse lá sentindo que não fazíamos mais do que a nossa obrigação.
Mas a maior parte da pessoas aproveitaram esta noite para esquecer as outras noites e dias mais difíceis e sorriram, cantaram, comeram e conversaram. 
As conversas que tive com várias pessoas aqueceram-me nessa noite.
Conheci o músico, que canta na rua e em bares. “Nos bares não é todos os dias”, disse-me ele.
Conheci o fotógrafo, que se encantou a fotografar tudo e todos.
Aquela senhora que estava lá na ponta, sentada na cadeira de rodas, que ficou envergonhada quando eu sorri enquanto um senhor a beijava. Senhor esse que, em seguida, me abraçou e beijou também.
O Madeirense, de olhos da cor do mar, que detesta o Alberto João Jardim, que começou por troçar de mim, mas que me chamou tantas vezes para conversar de tudo, falar da mulher que está hospitalizada, que me deu a mão inúmeras vezes e acabou a noite com um sorriso contagiante e com um presente meu.
A senhora que apareceu apenas ao final da noite, só para levar alguma comida para casa.
E acima de tudo, conheci uma associação com elementos fantásticos (quantos deles já passaram por situações tão difíceis), que só não deram o impossível.
Se, por um lado, lamento a necessidade deste tipo de eventos e deste tipo de organizações terem de existir, por outro só posso ficar grata por existirem. Porque são necessários. E fico grata por me terem dado a oportunidade de participar nesta noite e de me chamarem para participar em muitas outras noites.

{ Noite de Natal }


Esta vai ser uma noite de Natal diferente.

Vai ser uma noite sem Pai Natal e sem Rudolfo.

Não vou receber presentes à meia-noite.

Nem vai haver azevinho ou duendes, sequer.

Não vou ver as caras que me são queridas. Porque não vou estar rodeada pela família.

Não vou sentir o calor de uma casa, com cheiro a Sonhos e azevias.

Mas Acredito que esta venha a ser uma das noites de Natal mais cheias de calor por que já passei.

Acredito que nesta noite de Natal possa ser, mais do que útil. Acredito que posso aquecer alguns corações e arrancar alguns sorrisos. Ainda que seja apenas por uma noite.

Mas uma noite é melhor do que nenhuma noite.

Principalmente numa noite como a de Natal, que tão facilmente associamos a aconchego, fartura, companhia e alegria.

E porque nem todos têm esse aconchego, essa fartura, qualquer companhia ou uma réstia de alegria, a minha noite de Natal vai ser diferente.

E, sinceramente, Acredito que este será apenas um pequeno primeiro passo para mim.
Acredito.

{ It’s raining again }



Nestes dias chovem posts sobre a chuva e sobre a chatice que é a chuva.
Se prefiro o sol à chuva? Sem dúvida.
Se prefiro não andar na rua com chapéu de chuva e gabardina? Claro.
Mas um dia de chuva quando estamos em casa… sabe tão bem!
E a falta que ela faz, quando caída nos tempos certos.
Nem me importo muito de acordar e ter de sair para o emprego em dias de chuva. Talvez porque vá de carro e os trajectos à chuva sejam demasiado pequenos para ter de abrir o chapéu de chuva.
O que me chateia mesmo de fazer à chuva, é passear a e-nome. Que precisa MESMO de ir à rua, quer chova ou faça sol. Andar na rua com a trela numa mão; o chapéu de chuva na outra a tentar cobrir as duas, na medida do possível; e ainda precisar de uma terceira mão para apanhar os cocós do chão, é uma verdadeira aventura!
Imagino quem tem de andar com crianças, chapéus de chuva, sacos e afins e ainda de autocarro. Ou melhor, prefiro nem imaginar…