{ Tanto carinho }


Porque sinto sempre que recebo muito mais do aquilo que consigo dar.
Tive um Natal cheio de Mimos, muitos de pessoas que nem conheço pessoalmente, como é o caso da Sara, que conheço há uns aninhos, mas nunca nos vimos; da minha Maria Luísa, com quem converso quase diariamente sem nos cruzarmos fisicamente; e da Costureira de Palavras.
Ainda recebi mimos de quem conheci por este mundo que é a internet e que já tive o prazer conhecer pessoalmente, como é o caso da Sandra.

 
 
 
 
 

{ Ainda do Natal }


Como tinha dito, este foi um Natal diferente de todos os que passei. E talvez um dos mais sentidos que passei.
Foi uma noite de Natal a servir a ceia a pessoas que, pelos motivos mais diversos, apareceram numa tenda montada no Martim Moniz.
Pessoas tão diferentes umas das outras.
Desde o idoso que entrou, comeu e adormeceu até ao final da noite (umas horas longe do frio).
Ao menino de 5/6 anos de idade que esteve desde as 6 da tarde no 1º lugar da fila, sozinho e com um sorriso rasgado na cara. Este, depois de conversar com alguns voluntários, foi buscar a família. Apareceu com um sorriso ainda maior, ao lado da mãe e dos irmãos. Comeu, dançou, cantou e encantou-nos a todos.
As nacionalidades eram variadas, e as disposições também.
Havia quem estivesse ressentido com a vida. Quem fosse lá sentindo que não fazíamos mais do que a nossa obrigação.
Mas a maior parte da pessoas aproveitaram esta noite para esquecer as outras noites e dias mais difíceis e sorriram, cantaram, comeram e conversaram. 
As conversas que tive com várias pessoas aqueceram-me nessa noite.
Conheci o músico, que canta na rua e em bares. “Nos bares não é todos os dias”, disse-me ele.
Conheci o fotógrafo, que se encantou a fotografar tudo e todos.
Aquela senhora que estava lá na ponta, sentada na cadeira de rodas, que ficou envergonhada quando eu sorri enquanto um senhor a beijava. Senhor esse que, em seguida, me abraçou e beijou também.
O Madeirense, de olhos da cor do mar, que detesta o Alberto João Jardim, que começou por troçar de mim, mas que me chamou tantas vezes para conversar de tudo, falar da mulher que está hospitalizada, que me deu a mão inúmeras vezes e acabou a noite com um sorriso contagiante e com um presente meu.
A senhora que apareceu apenas ao final da noite, só para levar alguma comida para casa.
E acima de tudo, conheci uma associação com elementos fantásticos (quantos deles já passaram por situações tão difíceis), que só não deram o impossível.
Se, por um lado, lamento a necessidade deste tipo de eventos e deste tipo de organizações terem de existir, por outro só posso ficar grata por existirem. Porque são necessários. E fico grata por me terem dado a oportunidade de participar nesta noite e de me chamarem para participar em muitas outras noites.