{ Por onde Passo #47 }


Gosto da estação de Metro do Aeroporto! É espaçosa, bem iluminada e a “decoração” muito bem conseguida.

António Antunes, conceituado cartoonista, é o responsável pela intervenção plástica na estação, que apresenta a caricatura numa vertente completamente diferente da habitual e de carácter permanente, ocupando um lugar de destaque num espaço público, como é uma estação de metro.”

{ Copenhagen again }


Quase de regresso a Copenhaga! Mas, desta vez, com três vantagens:
1. O voo, na véspera do dia da reunião, chega à hora do almoço, por isso tenho a tarde e noite para passear. Pretendo aproveitar para fazer um dos cruzeiros pelos canais à tarde. Uma forma diferente de conhecer a cidade.
2. A reunião é numa sexta feira e o voo fica em menos de metade do preço se regressar no domingo, por isso, a Agência não se importou nada em fazer esta troca, o que me permite ir passar o fim de semana com uma amiga de infância, que mora em Naestved (a cerca de 1 hora de Copenhaga).
3. Apesar de ter sugerido um hotel 3 estrelas junto ao canal (a cerca de 10 minutos do local da reunião), a Agência decidiu colocar-me num de 4 estrelas (a menos de 5 minutos da reunião) e dentro do colado ao canal. É este:
Trata-se de um antigo celeiro convertido num hotel. Curiosamente um dos edifícios que fotografei quando por lá andei.
Claro que vou em trabalho e tenho uma reunião para preparar, mas quando as estrelas conspiram a nosso favor, só temos de aproveitar!  
E em Junho devo regressar. Três meses = três idas as Copenhaga. É uma boa média!
E é daquelas cidades adoráveis, onde apetece sempre regressar!

{ Espiga }


Hoje decidi fazer o meu próprio ramo. Claro que estando no meio da cidade e com o tempo da hora de almoço limitado, tive de recorrer à criatividade e ao que havia à mão…
Não é o ramo tradicional, que deve ser composto por espigas, malmequeres, papoilas, ramo de oliveira, folhas de videira e alecrim. Para além do que é visível na foto, ainda acrescentei o alecrim e a papoila, que nem de propósito foi colhida com o sentido do seu significado, com o meu amor (podem ver a simbologia de cala elemento dos ramo de espiga tradicional mais a baixo).
Parece que este ano me vou ter de contentar com pão, ouro, amor e vida e saúde e força.Tudo isto, acompanhado de uma boa dose de improvisação e criatividade, certamente :)
A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:

  • Espiga – pão;
  • Malmequer – ouro e prata;
  • Papoila – amor e vida;
  • Oliveira – azeite e paz; luz;
  • Videira – vinho e alegria e
  • Alecrim – saúde e força.

{ Porque a Mãe não é só minha }


E porque a mana andava à procura de uma foto com a Mãe, esta manhã fui procurar e encontrei.
Lindas as duas! Adoro a doçura da foto…

Na procura, cruzei-me com esta, que acho um piadão. 
A nossa Mãe não chegou a conhecer a neta por meia dúzia de meses. E o que mais atenção me chamou nesta foto esta manhã, foi o facto de reconhecer nesta expressão uma careta típica da neta. 

{ Amo-te }


Eu sei que nem todas as mulheres nasceram para serem mães.
Aliás, algumas nunca deviam ter sido.
Mas esse é um conceito que, felizmente, não conheço.
Mãe é Mãe.
A Mãe ama, acarinha, perdoa, cuida e protege.
Faz tudo pelo bem-estar de um filho. Muitas vezes faz mais do que pode, mais do que deve. Mas faz.
Educa, ensina, ajuda a crescer.
Uma Mãe dificilmente vê os defeitos de um filho.
Uma Mãe sabe que o seu filho não é melhor do que os filhos dos outros, mas sabe que o seu é o melhor filho do mundo.
A minha Mãe foi tudo isto. E muito mais. Muito mais.
A minha Mãe, pode não ser melhor que as outras mães, mas foi a melhor mãe do mundo.
Hoje, custa-me ouvir um filho dizer mal da sua mãe. Custa-me muito ver alguém desprezar a sua mãe.
Mas sei que me custa, precisamente, porque já não tenho a minha mãe aqui, ao meu lado, a segurar-me a mão.
E também sei que não fui a filha perfeita. Fiz algumas tropelias, próprias da adolescência. Contrariei a minha mãe. Contornei algumas regras, normalmente já bastante flexíveis por terem anteriormente sido quebradas pela mana mais velha.
A minha Mãe não dormia enquanto não regressássemos das nossas saídas à noite.
Ralhava quando chegávamos demasiado tarde. Depois ia deitar-se. Apenas para se levantar em seguida para nos pedir desculpa por ter ralhado e para explicar porque tinha ralhado.
Hoje, e apesar de eu não ser mãe, compreendo tão bem a minha. Os ralhetes. E até o facto de, por vezes, preferir não saber de algumas coisas.
Tenho muitas memórias doces da minha mãe (os sonhos com gatinhos com lacinhos cor de rosa, lembras-te, mana?). Outras hilariantes (aquele carnaval em Vilamoura, lembram-se Pai e Carmo?). E algumas dolorosas.
A minha Mãe, com o ar mais frágil que possam imaginar, foi a mulher mais forte que já passou na minha vida. Provavelmente porque tinha duas filhas que estavam em 1º lugar. Acima de qualquer dor que sentisse.
E sei que sentiu muita(s) dor(es). E calculo que deva ter sentido uma grande angústia e tristeza e revolta. Apesar de não ter mostrado nem por um segundo. Mas só pode ter sentido.
Não me consigo imaginar no lugar da minha mãe. Passar pelo que passou, durante tanto tempo e demasiadas vezes (uma vez já seria uma vez a mais!). Parecia que estavam a testar a sua força. A pô-la à prova.
E, ainda assim, conseguiu continuar a ser a melhor mãe do mundo. Talvez porque teve o melhor marido do mundo sempre ao seu lado, e as melhores filhas do mundo a dar-lhe a mão.
Obrigada Mãe!

{ Confiança }


              Subst. f.
             1. Crença na honestidade de alguém: ter confiança em alguém
             (…)
É fácil conquistá-la
Acho que, por defeito, nós confiamos.
Se nada houver que nos faça desacreditar numa pessoa, nós tendemos a confiar.
É fácil mantê-la
É fácil perdê-la.
Basta um simples acto para a perdermos. Uma traição, uma mentira descoberta, uma atitude para perdermos a confiança em alguém. Uma confiança de anos, desaparece num segundo. Num milésimo de segundo.
É difícil, se não impossível, recuperá-la.
Podemos dar uma segunda oportunidade a quem nos traiu, e eu sou toda pelas segundas oportunidades, mas a confiança que uma vez perdemos, dificilmente volta.
Podemos voltar a tentar, podemos! E se for isso que queremos, devemos voltar a tentar acreditar, a confiar. Mas acho que quem foi traído (independentemente do tipo de traição), ficará sempre com um pé atrás. Ficará sempre de “antenas no ar” para qualquer sinal que possa indiciar nova traição, mesmo que não seja mais do que a sua imaginação… E isto, meus queridos, não é confiança.  
{Foto: Sol de Dezembro}

{ Deixar a natureza seguir o seu curso }


Na quarta feira ao final da tarde, quando atravessávamos o parque, cruzámos-nos com dois melros. Existem imensos por ali. Um adulto e uma cria – uma bolinha de penas – debicavam a terra. Lindos!
No regresso, deparámos-nos com a cria sozinha, no mesmo sítio. Percebemos que não conseguia ainda voar. Provavelmente um aventureiro que decidiu explorar o mundo para lá do conforto do ninho, antes de estar fisicamente preparado para tal.
Sabíamos que seria uma presa fácil, se ficasse ali, vulnerável no chão do parque.
O primeiro instinto foi apanhá-lo e cuidar dele. Existe um veterinário ali ao lado, onde podíamos ir perguntar o que fazer.
Estivemos algum tempo a “namorá-lo” e a pensar o que fazer. Era simplesmente irresistível. Uma bolinha de penas pernilonga :)
Esta foto foi tirada nessa altura:

Às tantas apareceu um melro adulto, provavelmente a mãe, que o chamava, a incentivá-lo a voltar ao ninho. Mas por muito que o Baltazar (sim baptizámos a bolinha de penas) tentasse, as suas asinhas não tinham ainda força para o levantar do chão.

Apesar de conhecer vários casos de pessoas que apanharam crias de pássaros numa tentativa de cuidar delas, não conheço nenhum caso que tenha sido bem sucedido. Com os corações apertados, voltámos para casa e deixámos a natureza seguir o seu curso.

Ontem, quando atravessamos o parque, lá andava o Baltazar, a treinar o voo. A saltar de galho em galho de pequenas árvores. Rente ao chão, mas sempre a tentar. Nem as muitas crianças que andavam pelo parque a saltar e a brincar, o assustaram.
Não é lindo?


Quando regressámos, não o víamos. Mas, de repente, “aterram” nas costas de um banco de jardim, primeiro o melro adulto seguido do nosso querido Baltazar. Ficámos tão contentes! Orgulhosos, mesmo. Orgulhosos pelo esforço bem sucedido do Baltazar e contentes por termos resistido à tentação de o levar e por termos deixado a natureza seguir o seu curso, como tem de ser.

Bons voos, Baltazar! Esperamos ver-te a comer as nossas azeitonas em breve!