{ Sol de Dezembro }


{Foto: Sol de Dezembro}
O misto de ansiedade, culpa e vontade não me deixou dormir bem.
Tínhamos combinado o encontro para a tarde e toda a manhã planeei a conversa que ia ter contigo. Mal entrasse no carro, para te dar oportunidade de pôr fim ao que não tinha sequer começado.
Vi e revi a conversa vezes sem conta na minha cabeça. Sabia cada palavra que ia dizer. Ia dizer-te tudo…
Pois ia… mas o sorriso que fizeste quando me viste, o brilho nos teus olhos, em vez de me obrigarem a falar, fizeram-me sorrir e reforçaram a vontade de estar contigo, de aproveitar para te conhecer. Nem que fosse só por umas horas. 
Quando estivermos na praia eu digo-te!
Mas não disse. 
Passeámos na praia. Conversámos. Tirámos fotografias. O dia brilhava ao sol, apesar de estarmos no início de Dezembro.
Voltámos para o carro e estendemos o passeio, pela serra. É agora… agora vou dizer-te. Mas a minha voz não acompanhava o meu pensamento. As palavras que saiam da minha boca não eram as que tinha de dizer, eram as que eu sabia que iam prolongar mais um pouco aquele encontro.
No regresso a casa, já ao final do dia, passámos por outra praia e desafiei-te a novo passeio, à beira mar. Não queria deixar-te sem te dizer. Estava aqui preso na garganta a gritar para ser dito! Se hoje não te dissesse, aí sim estaria a mentir. Porque a omissão por vezes equivale à mentira.
Se a primeira praia onde fomos será sempre a nossa, esta ficaria marcada em mim com um carinho diferente. Mas não por este dia.
Mal pusemos os pés na areia, respirei fundo e olhei-te nos olhos, enquanto sentia um nó a apertar-me o estômago.
– Tenho de te dizer uma coisa. Não sei se é descabido dizer-te agora, se é descabido não ter mencionado antes, mas não vou esconder e muito menos quero que venha a ser descabido não te ter dito na altura certa.
– Sim, diz…
Um olhar levemente apreensivo, mas acompanhado com um sorriso doce encorajavam-me a confessar o que ainda não tinha tido coragem de dizer.
Disse-o de sopetão e com falta de jeito, como sempre me acontece quando estou nervosa.
Percebi que não estarias à espera daquela combinação de palavras, mas deixaste-me continuar dando a entender que fazia bem em dizer…
A naturalidade com que encaras a vida foi a mesma com que me respondeste.
Curiosamente foi essa naturalidade, essa tua facilidade, que não me tinha permitido perceber o que querias de mim. Não percebia se era tão natural quereres conhecer-me só porque sim, se havia algo mais, se não havia nada.
– Fizeste bem em dizer-me. Neste momento, só queria conhecer-te. Conhecer-te melhor e deixar o tempo correr. Mas ainda bem que disseste. Gosto de estar contigo, de falar contigo e estou a gostar deste dia.
– Eu também estou a gostar muito.
E continuámos. Com a mesma cumplicidade que nos tinha juntado.
Neste momento fiquei a saber que te queria comigo. Conhecer-te cada detalhe.
Apesar de não me ser permitido.

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